Friday, 30 March 2007

Paz, Poetas e Pombas

A Paz viajou em busca da silêncio
Sitiou Berlim
Abdicou em Londres
A Paz saltou dos olhos do poeta
Atacada de psicose
maniaco-depressiva

Foi nessa altura que as pombas
Solicitaram nas agências as tarifas
Mas não viram mais o poeta
Que gozava na Suiça
Duma licença graciosa

A Paz saiu aos saltos para a rua
Comeu mostarda
Bebeu sangria
A Paz sentou-se em cima duma grua
Atacada de astenia

Foi nessa altura que as pombas
Solicitaram nas agências as tarifas
Mas não viram mais o poeta
Que gozava na Suiça
Duma licença graciosa

Zeca Afonos (again) http://www.aja.pt/

Thursday, 29 March 2007

Canção do Desterro

Vieram cedo,
Mortos de cansaço
Adeus amigos
Não voltamos cá
O mar é tao grande
E o mundo é tão largo
Maria Bonita,
Onde vamos morar?

Na barcarola
Canta a Marujada-
O mar que eu vi
Nao é como o de lá
E a roda do leme
E a proa molhada
Maria Bonita,
Onde vamos parar?

Nem uma nuvem
Sobre a maré cheia
O sete-estrelo
Sabe bem onde ir
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita,
Onde vamos cair?

A beira de àgua
Me criei um dia-
Remos e velas
Lá deixei a arder
Ao sol e ao vento
Na areia da praia
Maria Bonita,
Onde vamos viver?

Ganho a camisa
Tenho uma fortuna
Em terra alheia
Sei onde ficar
Eu sou como o vento
Que foi e não veio
Maria Bonita,
Onde vamos morar?

Sino de bronze
Lá na minha aldeia
Toca por mim
Que estou para abalar
E a fala da velha
Da velha matreira
Maria Bonita
Onde vamos penar?

Vinham de longe
Todos o sabiam
Não se importavam
Quem os vinha ver
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita,
Onde vamos morrer?

by Zeca Afonso

"Don't worry, I'm not going to do something ecologically sound"

This is a story of a man who had to sell his first self-built house and couldn't find another affordable house (one nice house for sale was sold only together with the healthy grandmother of the owner). So the man bought a meadow to self-built his second house. However, to get the licence to built on agricultural land he had to pretend he was going to practice intensive farming, as ecologically minded self-sufficient agriculture without the aim of maximizing profits would not be an acceptable excuse to build an house on farm land.

"Mein zweites Haus im Selbstbau

Familiäres Mißgeschick hatte mich gezwungen, ein 1970/72 eigenhändig gebautes Haus verkaufen zu müssen. Die Suche nach einem geeigneten Ersatz war erfolglos: Eine alte Mühle im dichten Wald neben dem viel zu laut rauschenden Bach, eine durchfeuchtete Ruine knapp neben einem pompösen Neubau, eine Steilhang-Keusche, die nur zeitweise Wasser hat und mit der man die rüstige Oma gleich mitkaufen muß, und all das jeweils nicht unter 70.000 DM; diese Angebote schlug ich mir aus dem Sinn. Und wo ich eine brauchbare, still und sonnig gelegene Hütte entdeckte, war sie bereits in festen Händen. So hielt ich nach einer geeigneten und käuflichen Wiese Ausschau. Jahrelang, mit dem Auto und vor allem zu Fuß und mit dem Fernglas. Geeignete Plätze fand ich einige, aber verpachten oder verkaufen wollte niemand; eine neue Schwierigkeit aufgrund des heutigen allgemeinen Reichtums der Grundbesitzer. Schließlich aber hat es doch geklappt, auch mit der Baubewilligung im Grünland, um die mich schon viele beneideten. Die bekommt man fast nur für landwirtschaftliche Zwecke. Es gilt also sehr glaubhaft zu machen, daß man wirklich Landwirtschaft treiben wird. Auch die Größe der Fläche, in meinem Fall 1,2 ha zuzüglich Pachtzusage für 1,5 ha, muß dementsprechend sein. Wer nur eine Selbstversorger-Landwirtschaft - etwa im Sinne von Seymour vorhat, das ist die natürlichste, gesündeste und weltweit verbreitetste Form der Landwirtschaft -, der kann kaum mit dem Verständnis unserer engstirnigen Behörden rechnen. Denn wer nicht zum Hauptziel hat, möglichst viel Geld zu machen, wird als spinniger, unerwünschter Außenseiter abgetan. Wer aber von seinen Sonderkulturen wie Spargel, Erdbeeren und Freilandhühnern schwärmt und lauthals vom vielen Geld träumt, ist angepaßtes Mitglied der Konsumtrottel und Steuerzahler-Gesellschaft und wird geachtet und gefördert ..."

Auszug aus: http://www.tierversuchsgegner.org/texte/aussteiger-2.html#38

Comments:
"Der Text klingt mir so aggressiv, dass mir die Haare zu Berge stehen.
Warum ist der Typ so hochnäsig, negativ und destruktiv?" (not mine)

This opens up new ground for the development of new blaming words/Schimpfworte. Adding to the very offensive "Urbanite" we can now list "Taxpayer!"... and, don't forget the ego shaking powers of calling someone "Listmaker". The radical ecological movement will benefit so much from internalizing these prejudices!... Unfortunately I don't know how to translate "Konsumtrottel" that's the only truly meaningfull label...

Wednesday, 28 March 2007

Why this way

There are a multitude of paths to “fight” environmental degradation and social injustice. The feeling of powerlessness created by my superficial involvement in political activism and the realization of a space of manoeuvre for citizens to create more sustainable lifestyles (despite of existing policies) that can be used simultaneously as a tool for empowerment through action, made me opt for a more inspirational path of action than hitting with the head against the wall of wested economic-political interests that I am not equipped to significantly contribute to dismantle.

Economic incentives and regulatory policies can change certain practices but are unlikely to change attitudes, therefore bad practices are back as soon as the incentives against them stop.

The way how we construct understanding/realization, (Erkentniss) might be key to define new paths of ecological-social interaction. Scientific understanding abstracts knowledge from personal experience, as understanding has become mainly attributed to the intellect. Now, a respectful interaction with people and nature cannot stand alone on a rational, intellectual basis, but requires a whole person involvement. That is why reductionist scientific understanding can not be the sole way, if it is a way at all, to promote lifestyle changes to shift to a more sustainable path.

"E mais ou menos por ai" diria o Claudio.

P.S. - On the space for maenouvre...

Gato fedorento illustrate the limits of the space of manouevre for citizens action:
"XY is forbidden."
"Can I do XY?"
"Yes."
"What happens if I do XY?"
"Nothing."
"But it is fobridden, right?"
"Yes, it is forbidden".

We should not complain too much about this lack of enforcement, as long as it does not result in killings, harassments and livelihood insecurity, but rather be happy that the state does not manage to control all areas of our lives, even if it sometimes seems to wish to do so (the "state" doesn't even have an interest in it, as long as we are quiet and consume enough).

Nevertheless, civil disobidience for the sake of not bowing to the state alone is not adequate either! Remember the organic farmer I hate most: for the sake of doing civil disobidience he promotes invasive species!!! Just because it is forbidden to plant them he offers seedlings to all gardeners he knows (because he doesn't understand the real ecological impact they can have). The gardeners don't even know what plants they are and care for them lovingly...

Sunday, 25 March 2007

Portugal at its very best

The satirical goup Gato fedorento gives an accurate portray of Portuguse society and current affairs.

Watch Gato fedorento on You Tube:
http://www.youtube.com/results?search_query=Gato+Fedorento

Saturday, 24 March 2007

Organic Agriculture: EU wants to throw out the child with the bathwater!

Reforma do Regulamento da Agricultura Biológica
UE quer deitar fora o bebé com a água da primeira lavagem!

No dia 29 de Março no Parlamento Europeu será votado um novo regulamento relativo à Agricultura Biológica (AB), que alterara o Regulamento (CEE) nº 2092/91 que define as normas do modo de produção biológico na União Europeia. O novo Regulamento está previsto entrar em vigor, após um período de transição, a 1 de Janeiro 2009. A actual proposta não irá colmatar as lacunas em termos de sustantabilidade ecológica do modo de produção biológico do actual regulamento e foca essencialmente no desenvolvimento do mercado de produtos biológicos, com base numa concorrência a um nível de menor exigência e menor qualidade do que a exigida até agora.

A Agricultura Biológica deixa de ser um empreendimento ambicioso

Com o novo Regulamento, o ênfase do que a Agricultura Biológica deve ser, limita-se a uma produção agrícola com um impacte ambiental minimizado e não abarca a promoção de sistemas produtivos que de facto tenham consequências ambientais benéficas no panorama dos agro-ecossistemas actuais.

Os princípios gerais aplicáveis à Agricultura Biológica continuam vagamente definidos e difíceis de implementar, tal como o “impedir e combater” a erosão do solo e “ter em conta o equilíbrio ecológico”, sem que sejam apresentadas medidas concretas.

Nivelamento ao nível mais baixo de qualidade e exigência

Um dos principais objectivos da reforma do quadro regulamentar da produção biológica é “reduzir o impacto prejudicial da multiplicidade de certificações públicas e privadas” de produtos biológicos no mercado Europeu. Por isso o novo Regulamento define que “não podem ser utilizadas, nos rótulos ou na publicidade, alegações gerais segundo as quais um dado conjunto de normas, privadas ou nacionais, em matéria de produção biológico é mais estrito, mais biológico ou de qualquer outro modo superior às regras estabelecidas no presente regulamento”. Com outras palavras: os órgãos de certificação passam a ter que se limitar a certificar a aplicação do Regulamento e não podem mais ter as suas especificidades, que até ao momento, consistiam numa diversidade de regras mais rígidas de protecção ambiental e bem-estar animal do que as fixadas pelo Regulamento 2092/91. Quem vai beneficiar com isto são as empresas agrícolas que menos têm feito para a protecção do ambiente, pois vão ser postos em pé de igualdade com os produtores que realmente têm contribuído para manter a fertilidade e o equilíbrio ecológico das suas terras. Isto obviamente vai favorecer a produção biológica industrializada e em larga escala, que até agora tem sido claramente identificada como um modo de produção que, apesar de oficialmente ser aceite como biológico, tem significativas consequências negativas sobre o ambiente.

Até agora os consumidores podiam reconhecer, através da rotulagem, se um produto ia para além das normas mínimas da UE, agora todas as diferenças de qualidade e toda a diversidade existente no mercado biológico deve ser uniformizada. Isto significa que o modo de produção biológico vai ser nivelado e definido pelas práticas menos sustentáveis.

Em termos do mercado de produtos biológicos isto será certamente prejudicial, pois produtos biológicos produzidos em explorações industrializadas, têm uma qualidade claramente inferior aos produzidos em explorações mais diversificadas. Como os produtos oriundos de explorações industrializadas dominarão o mercado de produtos biológicos, a diferença qualitativa entre produtos biológicos e convencionais será minimizada. Se os produtos biológicos não têm óbvias vantagens qualitativas e em termos de preservação do meio ambiente, os consumidores não terão mais incentivos em os adquirir.

De modo a permitir o desenvolvimento do mercado da agricultura biológica em países com estados muito diferentes do estabelecimento de fileiras de produtos biológicos, o Regulamento permitirá agora que os Estados–membros possam “aplicar regras de produção menos rigorosas” do que as estabelecidas no presente Regulamento. No entanto, o logótipo de AB será uniforme em toda a UE, pelo que os consumidores não poderão distinguir facilmente quais foram as regras de facto aplicadas à produção de um determinado produto biológico.

Relaxamento das regras de produção

No novo Regulamento, produtos de síntese química já não são completamente proibidos no modo de produção biológico, mas é dada apenas preferência a substâncias naturais. “Substâncias sintetizadas quimicamente (…) só podem ser utilizadas quando não estejam comercialmente disponíveis substâncias naturais”. De acordo com a Proposta de Regulamento, este uso de produtos de síntese química terá que ser claramente regulamentado de produto para produto. Mas, claro está que não existe um Roundup natural, qual será o critério real que permitirá a substituição de produtos naturais por produtos de síntese química?

Relativamente ao bem-estar animal as regras também são vagas e focam no impacto negativo mínimo e não no efeito benéfico máximo. Em termos exemplificativos, no regulamento consta que “qualquer sofrimento, incluindo a mutilação, deve ser mantido a um nível mínimo”.

Também a rejeição de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) em geral na Agricultura Biológica é enfraquecida pelo novo regulamento. A proibição do uso de OGMs é agora submetida à presença de informação no rótulo ou documento acompanhante do produto em questão, submetendo a rejeição de produtos transgénicos às regras de informação e rotulagem de OGMs. Os OGMs com usos veterinários continuam aceites. Os limiares de contaminação com OGMs permitidos para a Agricultura Biológica passarão a ser os mesmo que para a agricultura convencional. Isto também significa a aceitação da coexistência de produtos biológicos com produtos geneticamente modificados, apesar de esta coexistência levar incontornavelmente à contaminação dos produtos biológicos e, com isso, um ponto fulcral da distinctividade da Agricultura Biológica cai por terra.

A Proposta de Regulamento está disponível em:
http://ec.europa.eu/agriculture/qual/organic/index_en.htm
com o heading:
"Organic Food: new Regulation will improve clarity for consumers and farmers"
Atenção, pois o documento está escrito em Doublespeak.
http://en.wikipedia.org/wiki/Doublespeak