Chamar-lhe de apicultor é um pouco exagerado, traduzindo à letra chamar-se ia “o homem das abelhas”. Então é mais ou menos assim...
Vivia algures um velho gordo numa cabana isolada na margem da floresta. O homem tinha abelhas, tinha muitas abelhas. A cabana toda dele parecia uma colmeia enorme. Sempre estavam abelhas a sair e a entrar e a sussurar em volta da cabana. O homem das abelhas não tinha medo delas e vivia ali com elas numa certa harmonia. Como era de esperar, ele comia mel ao pequeno almoço, ao almoço e ao jantar. E mel com mel e mel.
Um dia passou um aprendiz de mago pela sua cabana, espreitou pela janela da porta e viu o velhote, sentado à mesa e a comer mel. Uma sensação estranha se apodorou dele. E, a partir de então, sempre que o aprendiz de mago nas suas viagens passava pelo caminho que passava pela cabana do homem das abelhas espreitou para dentro de casa dele e conversou um pouco com ele. O aprendiz de mago estava muito admirado como modo de vida do apicultor e disse-lhe: “Ó homem, eu julgo cá para mim que você foi encantado, que esta figura que tem hoje em dia é resultado de um encanto que algum bruxo mau lhe fez. Mas eu quero ajudá-lo. Você parta à procura da sua figura real, à procura do que teria sido se não tivesse sido encantado numa certa altura da sua vida. Depois, quando eu tiver a minha formação completa, farei tudo para lhe ajudar a voltar à sua vida incial.”
Dito isto o aprendiz de mago seguiu caminho e deixou o apicultor muito intrigado. “Mas o que terá eu sido antes de tomar esta figura por algum encanto?”. A partir de aí começou a imaginar o que poderia ter sido. Talvez uma princesa de vestido cor-de-rosa? Ou um padre? Estes pensamentos ocupavam-o cada vez mais até que ele decidiu, intrigado, de que tinha que ir à procura do que ele terá sido. Quer tenha sido bom, quer tenha sido mau, ele precisava de saber o que tinha sido antes de se ter tornado no homem das abelhas.
Sendo assim, ele preparou uns cestos-colmeia muito engenhosos que ele podia usar como mochila, deste modo andava sempre com um enchame de abelhas atrás e com mel suficiente para se alimentar na sua viagem. E um belo dia solarengo lá partiu à procura da sua verdadeira identidade.
À tarde ele já estava cansado de caminhar e sentou-se à beira de um belo jardim de um palácio onde um conde estava a celebrar o seu casamento. Ao lamber o mel o homem das abelhas observou o conde, todo bem vetsido, jovem e bonito. Começou a pensar para sí “Ai, sinto-me tão atraido a este conde. Será que eu fui um conde antes de ter sido encantado?”. Para escalrecer esta ideia ele entra no jardim para observar a cerimónia e o conde mais de perto. Tudo lhe pareceu muito interessante e ele ficou tão absorvido em olhar que de repente estava à beira do conde e a olhar para ele com grandes olhos. O conde assustou-se com o mau aspecto do homem e ralhou “o que está este velho a fazer aqui no meu casamento? Desapareca já daqui!” E para dar mais ênfase a essa ideia deu um pontapé ao homem das abelhas, e este caio para o meio de uma cebe. Lá no meio da cebe o homem das abelhas pensou cá para sí “Bem, eu nunca teria sido tão bruto com um pobre velhote. Claro está que eu nunca fui um jovem conde, nem nunca quis ser anda disso.”
O velho apicultor seguiu viagem e encountrou muitas situações bizarras e fascinantes, mas nunca uma criatura com que simpatizasse por completo. Até que um dia chegou a uma floresta onde tinha ouvido dizer que havia uma caverna enorme em que habitavam dragões e dinossáurios de vária ordem. “Nunca se pode ter a certeza que não se é na verdade um bicho asqueroso deste tipo. Para fazer a minha tarefa de procura da minha identidade bem feita não posso dar a volta a esse antro de criaturas infernais.” E assim foi caminhando em direcção à abertura da caverna. Perto da entrada encontrou um moço sonolento que dizia que queria também entrar na caverna, pois estava à procura de uma solução para o seu cansaço eterno, mas já não tinha forças para entrar sózinho.
Então seguiram os dois para a caverna e, a poucos metros dentro da caverna aproximou-se deles um gnomo asqueroso, pequenino, irrequieto e com ar maldoso. “O que desejais?” perguntou ele, e então o moço sonolento e o homem das abelhas explicaram o que vinham fazer. O gnomo maldoso achou muito bem. A primeira proposta dele para acordar o moço sonolento foi atirar-lhe com o enchame de abelhas que o apicultor trazia nas costas. Mas o moço sonolento recusou-se de participar numa terapia tão brusca. Então o gnomo mandou o apicultor dar uma volta pela caverna, pois achava muito provável que o homem das abelhas teria sido um dragão raivoso antes de ter sido encantado.
Entretanto o gnomo quis levar o moço sonolento para a caverna onde um dragão de 7 cabeças dormia há 44 anos sem se mexer, para ver se o aspecto terrível do animal acordasse o moço sonolento. De facto, quando o moço e o gnomo se aproximaram da entrada da caverna o dragão piscou um olho no seu sono profundo. O moço sonolento percebeu isso como uma ameaça e ficou convencido de que o gnomo o queria enganar, pelo que começou a espontapeá-lo e a correr atrás dele até à saída da caverna. Foi deste modo que a sua sonolência foi, em fim, curada.
O homem das abelhas passeava calmamente de uma caverna para outra, no meio dos corredores escuros subterrâneos e viu uma criatura monstruosa a seguir à outra, sem se conseguir identificar com nenhuma delas. De repente ouviu um choro agudo de bebé numa caverna próxima, precipitou-se a correr para lá para ver o que se passava. Encontrou um dragão enorme com um recém-nascido nas garras, pronto para o devorar. Num acto de coragem o homem das abelhas tirou a sua mochila-colmeia e atirou a com toda a força para a cabeça do dragão. As abelhas saíram enfurecidas e começaram a picar o dragão em todo o lado. O dragão na tentativa de se livrar das abelhas deixou cair o bebé, que o homem das abelhas rapidamente apanhou. O homem das abelhas fugiu com o bébé nas mãos a correr para sair da caverna, sempre com medo que o dragão os apanhasse.
Passado o perigo o homem das abelhas olhou com ternura para o bébé e decidiu que, antes de continuar a sua viagem, ia à procura da mãe do bébé ou de alguêm que o pudesse criar. Depois de umas horas de caminhada chegou a uma aldeia e ao atravessar a aldeia dá de caras com uma mulher que está a chorar. Quando ela vê o bébé fica encantada e diz que se trata do bébé dela que lhe foi roubado durante a manhã por um dragão horrível. O homem das abelhas conta-lhe tudo o que se passou e ela convida o para a sua casa para jantar. O homem das abelhas, quando se quer despedir, apercebe-se como sente uma atracção extremamente forte pelo bébé, pede para ficar uns dias e nesses dias fica cada vez mais convencido que ele, antes de ter sido o homem das abelhas, teria sido um bébé.
De alguma forma ele consegue chamar o mago e com esforços de vários magos eles conseguem transformar o homem das abelhas num bébé. A senhora aceita criar o bébé homem das abelhas, por gratidão de ele ter salvo o seu filho.
Muito anos passam e o mago entretanto é um velho sábio. Numa das suas viagens passa pela cabana do homem das abelhas e lembra-se desta história e como ele conseguiu ajudar a este homem desgraçado. Vê que estão ainda muitas abelhas a voar em volta da cabana e decide espreitar pela porta da janela para ver o estado em que tudo está. Quão admirado ficou ele, ao ver o velho homem das abelhas, sentado à mesa a comer um prato de mel.
Livro original de Frank R. Stockton, Maurice Sendak "The Bee-Man of Orn "
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Wednesday, 6 February 2008
Tuesday, 9 October 2007
Economia pouco económica
Pensar que a economia que temos é económica é um engano.
Temos que distinguir o que é económico daquilo que gera lucros. Assim, transportar alimentos à volta do mundo pode resultar em lucros, no entanto é absolutamente anti-económico, pois a energia gasta na produção e no transporte é muito superior da quantidade de energia obtida pelo consumo do alimento pelo consumidor final.
Os custos escondidos (as externalidades) que resultam de uma economia pouco enconómica têm que ser suportados pela sociedade em geral.
Groh e MacFadden (1997) Farms of Tomorrow revisited.
Temos que distinguir o que é económico daquilo que gera lucros. Assim, transportar alimentos à volta do mundo pode resultar em lucros, no entanto é absolutamente anti-económico, pois a energia gasta na produção e no transporte é muito superior da quantidade de energia obtida pelo consumo do alimento pelo consumidor final.
Os custos escondidos (as externalidades) que resultam de uma economia pouco enconómica têm que ser suportados pela sociedade em geral.
Groh e MacFadden (1997) Farms of Tomorrow revisited.
Walden
Another book link: Walden from Henry David Thoreau, in English:
http://thoreau.eserver.org/walden00.html
Tha rather anti-social guy builds a hut for himself in the woods next to a fascinating lake and reflects about what a good life is about, practising voluntary simplicity...
Thoreau is key deep ecology reading.
http://thoreau.eserver.org/walden00.html
Tha rather anti-social guy builds a hut for himself in the woods next to a fascinating lake and reflects about what a good life is about, practising voluntary simplicity...
Thoreau is key deep ecology reading.
Monday, 8 October 2007
SLOW TRADE – SOUND FARMING
Regras de comércio para um futuro para a agricultura, a nível global
Coordenadores: Wolfgang Sachs e Tilman Santarius
Instituto de Wuppertal, para o Clima, Ambiente e Energia.
Segue uma tradução informal do sumário executivo, sendo qualquer falha na tradução ou na interpretação da minha responsabilidade. Uma edição sumária em português está planeada pela Miseror, estando previsto estar disponível no final de 2007 no website http://www.ecofair-trade.org
Prefácio:
Numa altura em que os problemas da ordem do Mercado mundial se tornam cada vez mais evidentes, especialmente no sector da agricultura, publicamos esta proposta para uma reforma profunda do sistema de comércio agrícola internacional.
A designada “Ronda de negociações de Doha” da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a continuação da liberalização do tráfego de bens está ameaçada de falhar, sobretudo porque a UE e os EUA se recusam a ceder às exigências dos países em vias de desenvolvimento, no sector agrícola. Ao mesmo tempo, exigem uma abertura crescente dos mercados agrícolas destes países.
Simultaneamente, os prognósticos multiplicam-se de que quem irá ganhar com as negociações da Ronda de Doha serão os países industrializados e alguns países exportadores do Sul. A maioria dos países pobres, no entanto, iria perder com os resultados das negociações de liberalização do comércio.
Uma observação ao nível supra-estatal permite concluir que a liberalização do mercado sobretudo beneficiará os agentes económicos mais fortes, aumentando as suas vantagens no mercado às custas dos economicamente vulneráveis – tanto no Sul como no Norte.
...
Sumário:
No centro das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o acordo multilateral para a economia mundial está a reforma do comércio agrícola. Mas as inovações pretendidas não prometem ser positivas para o futuro da agricultura familiar deste mundo. Antes pelo contrário, irão piorar a situação desesperante dos pequenos agricultores e deteriorar ainda mais os ecossistemas. Para mais, irão dificultar o aumento da produtividade agrícola na era “pós-combustíveis fósseis” que se aproxima.
Com a sua fixação no desmantelamento de taxas e subvenções, os actores do Norte e de alguns países grandes do Sul, deixam completamente de lado considerações sobre agricultura familiar e as zonas rurais expostas a pobreza, danos ambientais e o escasseamento do petróleo. Enquanto aos agricultores de todo o mundo é exigido riqueza de ideias e empreendedorismo para superar estas dificuldades, o caminho escolhido pela política comercial e pelos programas de ajustamento estrutural (SAP’s) leva no sentido contrário, ou seja, no de piorar estes problemas.
Por este motivo, este relatório pretende mostrar perspectivas políticas e instrumentos para um sistema de comércio em que se dá uma hipótese real aos pobres, que se põe ao serviço da conservação da natureza e que ajude a agricultura a fazer a transição para a era solar.
Após a conferência de ministros em Cancún em Setembro de 2003, a Fundação Heinrich Boell e a Miseror (ambas com sede na Alemanha mas com gabinetes e parceiros a nível mundial) juntamente com a moderação do Instituto de Wuppertal, decidiram criar o diálogo EcoFair Trade (Comércio Justo e Ecológico). O presente documento é o resultado destes diálogos e de encontros em todos os continentes, realizados com a participação de um grande número de organizações da sociedade civil. Os próprios 12 autores são oriundos da América, Austrália, África, Ásia e Europa, de pequenos países e grandes nações comerciais, do Sul e do Norte; trabalham como peritos em Organizações Não Governamentais (ONG’s), como multiplicadores para a agricultura sustentável a nível dos grass-roots, como investigadores em Universidades ou como consultores políticos para parlamentos e governos.
Em referência ao movimento internacional “Slow food”, que luta por alimentos bons, saudáveis e justos, este relatório foi entitulado “Slow Trade – Sound Farming”. Assim o título já transmite a mensagem de que um regime comercial que quer servir ao Homem e à biosfera terá que desacelerar e retroceder na dinâmica da concorrência orientada para o poder e o rendimento.
Na primeira secção são apresentados 7 princípios que devem estar subjacentes a uma nova ordem do comércio agrícola. Estes princípios baseiam-se na ideia de que o interesse público deve ser posto acima do interesse individual e de que os mercados terão que ser configurados pela política.
1. O Princípio da multifuncionalidade realça o facto de que os sistemas agrícolas estão interligados com sistemas sociais e naturais;
2. O Princípio dos direitos Humanos reforça a ideia de que os acordos sobre o comércio devem beneficiar as pessoas mais desfavorecidas do mundo;
3. O Princípio da preservação do ambiente lembra que a actividade agrícola, além de produzir alimentos, recursos energéticos e fibras, tem a função de regenerar solos, água e biodiversidade;
4. O Princípio da soberania democrática aponta para o direito dos cidadãos em exprimir as suas preferências colectivas e de se envolverem activamente nas políticas de comércio e de investimento que os afectam;
5. O Princípio da responsabilidade extraterritorial refere-se à responsabilidade global – em primeiro lugar dos países poderosos – de não provocar danos a cidadãos que ficam fora das suas fronteiras estatais;
6. O Princípio da subsidiariedade económica implica que as trocas comerciais no mercado alimentar se devem realizar preferencialmente a nível local e nacional e que as trocas comerciais transnacionais devem ter apenas uma função suplementar;
7. O Princípio da justiça / fairness requer que os desequilíbrios existentes sejam balançados a favor dos agentes económicos mais fracos ou que exista uma discriminação positiva para estes, pois o estabelecimento de oportunidades iguais apenas irá favorecer os mais fortes.
Na segunda secção são apresentados os problemas mais graves resultantes da desregulamentação do mercado agrícola.
O capítulo Primazia do ponto de vista económico aponta para o facto de que as decisões feitas apenas sob o ponto de vista económico sofrem de uma visão de curto prazo. Este ponto de vista encara a agricultura apenas como uma máquina geradora de dinheiro, que deve acelerar o crescimento económico e trazer divisas. O papel da agricultura, de facto, é muito mais do que os simples números no papel; a agricultura não é nada menos do que o suporte da vida no campo, assim como também é um aspecto inseparável da biosfera. Quando estes aspectos são ignorados sistematicamente, a política comercial acaba necessariamente por tomar decisões nefastas.
O capítulo Direito de existência em áreas marginais trata mais detalhadamente das consequências fatais que a visão de curto prazo, anteriormente delineada, tem sobre os pequenos agricultores e comunidades rurais em muito países. Não é raro que a população rural seja expulsa do seu solo e das suas terras e atraída para os centros urbanos; globalização e liberalização do mercado são co-responsáveis pela miséria da agricultura familiar.
Os autores deste relatório distanciam-se da concordância silenciosa dos defensores da liberalização do mercado de que a agricultura familiar é uma coisa do passado. Pelo contrário, são os pequenos agricultores e a agricultura familiar que constituem a chave para maior produtividade, sustentabilidade e emprego na agricultura.
O capítulo Natureza marginal mostra que a visão de túnel económica tem consequências potencialmente perigosas para a natureza e a agricultura, dado que um aumento do comércio transnacional de bens agrícolas resulta geralmente na expansão de monoculturas e da agricultura industrializada, com a sua sede por terra e água. Além disso, o próprio futuro da agricultura é ameaçado se as bases ecológicas da produção agrícola são continuamente degradadas e quando um pilar fundamental da agricultura industrializada – o petróleo – escasseia.
No capítulo Tomada de posse pelas empresas evidencia-se que a filosofia do mercado livre, que serve de base a negociações sobre agricultura, se baseia na suposição de que o mercado livre é apenas limitado pela intervenção estatal. Mas, de facto, o mercado livre é, pelo menos na mesma medida, constrangido pela formação de corporações multinacionais e o seu poder monopolista no mercado. Onde as empresas multinacionais usam as suas vantagens, os produtores podem não ser limitados por taxas ou subvenções de vender a sua produção, mas por empresas que ditam os preços de mercado e as normas dos produtos. Por isso a desregulamentação dos mercados nacionais interessa às empresas, porque facilita uma nova regulação transnacional à medida dos seus interesses. O desmantelamento de medidas protectoras nas fronteiras nacionais aumenta o poder de empresas transnacionais.
O capítulo Assimetrias duradouras trata das diferenças brutais existentes no actual sistema comercial. O princípio do “tornar igual” através da abolição das barreiras ao comércio, prejudica muito menos países competitivos do que países menos competitivos, porque força os participantes fortes e fracos a jogar no mesmo campeonato. O que na concorrência comercial é designado eufemisticamente “Level-playing field” ou “mesmas condições à partida” é, na realidade, um regulamento para um jogo extremamente injusto, que facilita a jogada de países e empresas poderosas. Sob estas condições, a liberalização do mercado não trouxe a muitos países os resultados desejados em termos de transformação da sua agricultura para a competitividade no mercado global. Sendo assim, não é suficiente corrigir as regras do comércio apenas um pouco, porque o comércio livre geralmente “passa a bola” aos mais fortes. Por isso, as regras de comércio só podem ser consideradas justas quando os fracos são privilegiados em relação aos fortes.
A terceira secção apresenta soluções que incluem propostas para a reorientação do comércio agrícola, assim como instrumentos para guiar o mercado internacional de produtos agrícolas. As propostas fundamentam-se na ideia de que a preocupação com a dignidade Humana e a integridade da Biosfera têm que ser parte da arquitectura das regras do comércio. É expressão de irresponsabilidade estrutural quando a OMC limita a sua competência a questões de comércio e deixa para governos nacionais tratarem de temas sociais e ambientais, enquanto simultaneamente reduz a sua autoridade de forma crescente através das políticas de desregulamentação exigidas.
A primeira proposta é: alargar o espaço de manobra da política nacional.
Após as políticas nacionais terem que abdicar de competências durante as últimas décadas, agora os estados e as autarquias têm que receber de novo o direito de influenciar as trocas comerciais de acordo com as suas preferências. Sobretudo o direito de conduzir a importação de bens, serviços e investimentos tem que ser restabelecida.
Como a agricultura é a principal fonte de rendimento da maioria das pessoas dos países em vias de desenvolvimento, a liberalização de importações tem que retroceder, se a base para a sobrevivência e a segurança alimentar no interior do país querem ser asseguradas. Por isso, os países precisam de espaço de manobra dentro das regras internacionais de comércio, para proteger o mercado interno de ser inundado por bens importados, através de uma política de importações específica, constituída por taxas, tarifas e mecanismos de controlo de quantidade e preços.
Os países também precisam de adquirir competências para, por exemplo, influenciar os investimentos estrangeiros, regular actividades de corporações multinacionais, impor regulamentos estritos sobre qualidade e segurança alimentar ou requisitos em matéria ambiental e desenvolver programas de apoio específicos para assegurar uma economia rural sã.
Limitações ao comércio livre são bem-vindas se têm em vista o bem público.
Segundo, a agricultura só pode ser bem sucedida na criação de riqueza privada e pública, se a segunda proposta está estabelecida: investir na multifuncionalidade. Para assegurar a multifuncionalidade ecológica e social, a agricultura necessita de apoio. Por isso, é um erro exigir a abolição de todos os instrumentos de apoio à agricultura a nível interno. O tema da extensão e da composição dos programas para investimento e regulamento da produção agrícola é o que necessita ser discutido, e não a abolição completa da intervenção estatal.
O apoio à agricultura pode ser institucional ou financeiro. Apoios institucionais correspondem a política de impostos, disponibilização de informações sobre saber-fazer, estabelecimento de infraestruturas ou financiamento de investigação – tudo medidas que têm um papel chave na transição para a agricultura sustentável. A nível financeiro, pagamentos directos a agricultores poderiam ser considerados, no entanto, apenas seguindo pressupostos rígidos. De acordo com o Princípio da responsabilidade extraterritorial, o apoio à agricultura não pode comprometer as hipóteses de outros em mercados externos. Subsídios à exportação não são de algum modo defensáveis. Se não se decidir proibir absolutamente o dumping de produtos agrícolas (venda de produtos abaixo do seu preço de custo), ao menos um sistema internacional de “alerta de dumping” deveria ser estabelecido, de modo a avisar os países importadores de quando as importações põem em risco a segurança dos meios de vida dos agricultores.
Em terceiro lugar, os agricultores em todo o lado, sejam ricos ou pobres, do Sul ou do Norte, sofrem como resultado dos preços extremamente baixos e flutuantes da sua produção. Estabilizar os preços é, portanto, a única medida mais significativa para assegurar um rendimento para os agricultores e travar o declínio do meio rural.
Por causa das características específicas da agricultura como sector económico, a oferta geralmente só responde devagar e de forma insuficiente a alterações de preços. Gestão da oferta neste sentido é um instrumento interessante para manter preços adequados, tanto para os produtores, como para os consumidores. Em muitos países já se pratica a gestão da oferta dos produtos agrícolas com o objectivo de harmonizar a produção com a procura no mercado. A chave para o sucesso é um mecanismo de adaptação flexível que no cálculo das quotas e estabelecimento do preço para o produto tem em conta a capacidade produtiva e a procura no mercado. Se programas deste tipo têm um enquadramento legal e está garantido que todos os intervenientes têm direito a contribuir, se existem mecanismos de fiscalização e sanção para assegurar a obedeciência às regras, a gestão da oferta pode prevenir a queda dos preços no mercado agrícola.
Uma quarta regra também será essencial: Introdução de normas de sustentabilidade. Pois normas de produção e processamento são instrumentos importantes de uma política que pretende harmonizar os interesses privados de lucro com a preservação da biosfera e com direitos sociais fundamentais.
De facto, até agora são sobretudo os desrespeitadores que beneficiam com o desmantelamento das medidas proteccionistas. Enquanto os custos de produção não têm que ter em conta a conservação dos bens públicos, o mercado livre continua a acelerar a marginalização dos pobres e a degradação da biosfera.
A participação no mercado internacional deveria ser entendida como um privilégio, que em contrapartida exige a internalização dos custos sociais e ecológicos. Por isso, o primeiro passo consistiria no desenvolvimento independente, nos vários países, de normas de sustentabilidade e de programas de certificação para agricultura e transformação; para tal, a experiência com a certificação do modo de produção biológico poderia servir como exemplo.
Num segundo passo, os produtores nacionais teriam que passar a ser obrigados a cumprir as normas nacionais. Depois poderiam ser definidos critérios de qualidade para permitir um acesso privilegiado ao mercado, dos produtos produzidos de forma sustentável. Para os programas de acesso privilegiado ao mercado deveria haver “normas transversais” a nível multilateral, em que as regras para o estabelecimento de normas seriam definidas de forma participativa e consensual.
Simultaneamente, um gabinete de resolução de conflitos resultantes de normas poderia facilitar a formação de compromissos no caso da existência de disparidades entre as normas de diferentes países, que pretendem realizar trocas comerciais. Os lucros dos países mais ricos obtidos em tarifas poderiam fluir para um fundo internacional para o desenvolvimento rural sustentável, com apoio do qual os países subdesenvolvidos poderiam converter a sua agricultura para modos de produção sustentáveis e apoiar as suas exportações.
A Democratização das cadeias de mercado representa o quinto ponto de entrada para a reforma, dizendo respeito especificamente ao facto de que frequentemente não são os governos, mas sim as empresas que distorcem o mercado, em prejuízo dos pequenos produtores locais e de pequenas e médias empresas. A ideia principal consiste em dar mais poder a produtores e empresas, de acordo com uma lógica de proximidade e, simultaneamente, assegurar que intervenções de empresas estrangeiras sejam controladas a nível local por observatórios de concorrência, sujeitando-as também às normas nacionais da política de investimento. Para estes fins são propostos três instrumentos multilaterais que permitem influenciar o comportamento das empresas: primeiro, deve ser criada uma base de dados aberta sobre as principais empresas do sector agro-alimentar, em que constasse a sua dimensão, extensão, fusões, compras e joint ventures (investimentos realizados por 2 ou mais empresas em outros países); segundo, a implementação de um observatório anti-monopolista, que acompanhasse os processos de fusões e compras e interviesse no caso de as grandes empresas abusarem do seu poder de mercado; e, terceiro, a criação de um conjunto de comissões para a justiça no comércio, para fiscalizar acordos e contratos internacionais dos diversos actores envolvidos numa mesma fileira, com o objectivo de assegurar a redistribuição justa dos lucros. Além disso, medidas para a re-regionalização das trocas comerciais deverão ser aconselhadas, incluindo estratégias para a maximização do valor acrescentado no local, em que será exigido às empresas que comprem preferencialmente a produção local e que considerem transformadores e fontes de escoamento locais.
E, finalmente, o capítulo Equilibrar assimetrias trata de propostas a acesso a mercados, para a política de exportação, com o objectivo de fortalecer a posição dos pequenos agricultores perante correntes internacionais de comércio. No entanto, é duvidoso se o mercado livre – assumindo que os países do Norte põem um fim ao seu proteccionismo – realmente estabelecerá medidas justas e condições de partida iguais para todos, pois as diferenças entre países e regiões são simplesmente demasiado grandes.
Apesar de toda a atenção que se dá ao aumento das exportações, os factos de que a maioria dos produtores, e sobretudo os pequenos agricultores, geralmente não beneficiam de forma alguma das mesmas e que causam graves custos ambientais, são frequentemente ignorados. Por isso, neste relatório foram formuladas políticas de exportação sustentável. Uma política deste tipo dá primazia à segurança alimentar nacional em relação a exportações, e dá primazia à produção para mercados locais e nacionais em relação à produção para mercados estrangeiros. No sentido de assegurar mais igualdade entre o tratamento dos países, os países economicamente mais fracos precisam de ter um tratamento preferencial, em vez de terem apenas os mesmos direitos. De acordo com o Princípio da justiça, é necessário que o tratamento preferencial passe de uma cedência transitória – tal como acontece actualmente – para uma característica sistemática do regime comercial.
São propostas regras de acesso ao mercado, compostas por uma combinação de taxas e quotas. De acordo com estas, normas de qualidade definem o valor das taxas de cada produto, enquanto para cada nível de taxas seriam estabelecidas quotas para a importação de países economicamente desfavorecidos, no caso que o país deseje importar um dado produto.
Finalmente, também não é uma lei imutável que o comércio internacional tenha que ser orientado exclusivamente para a maximização do lucro; o objectivo também pode ser reciprocidade e solidariedade. O que aconteceria se os países do Sul saíssem da competição global no mercado e, em vez disso, estabelecessem contratos comerciais baseados na solidariedade?
Em conclusão, a seccção 4 descreve em termos esquemáticos como seria a arquitectura do comércio agrícola na era pós-OMC.
Os autores deste documento estão convencidos de que um acordo multilateral sobre o comércio é indispensável. A OMC, entretanto, na sua configuração institucional actual, não preenche os requisitos para realizar as funções necessárias. Consequentemente, a OMC terá que se reinventar a si própria ou ceder a institucionalização de regras sobre o comércio agrícola a outras instituições mais competentes, no âmbito das Nações Unidas.
Tendo em conta as análises e propostas deste documento, a nova instituição terá que ter pelo menos as seguintes cinco secções: secção para a coordenação, garantia de qualidade, gestão de preços, observatório de concorrência e resolução de conflitos. Assim, estas secções cobririam as funções de uma organização do comércio que trabalha realmente em prol do interesse público: plataforma para negociações entre estados, normas de qualidade mínima para os fluxos de mercadorias baseadas em normas multilaterais, controlo dos preços de mercado internacionais através de um mecanismo de gestão da oferta baseado na cooperação, controlo da concorrência através de medidas anti-trust (anti-monopólio) e um mecanismo para a resolução de conflitos sobre trocas comerciais.
Se actualmente o desmantelamento de entraves ao comércio livre é a preocupação principal no comércio mundial para criar um mercado mundial unificado, a instituição que precisamos para o futuro terá que se concentrar na coordenação dos diversos interesses nacionais como centro focal do seu trabalho. O seu objectivo principal, deste modo, consistirá em equilibrar interesses de comércio e não em desregulamentar o comércio.
O relatório completo está disponível em Espanhol, Alemão e Inglês no seguinte website:
http://www.ecofair-trade.org/
Coordenadores: Wolfgang Sachs e Tilman Santarius
Instituto de Wuppertal, para o Clima, Ambiente e Energia.
Segue uma tradução informal do sumário executivo, sendo qualquer falha na tradução ou na interpretação da minha responsabilidade. Uma edição sumária em português está planeada pela Miseror, estando previsto estar disponível no final de 2007 no website http://www.ecofair-trade.org
Prefácio:
Numa altura em que os problemas da ordem do Mercado mundial se tornam cada vez mais evidentes, especialmente no sector da agricultura, publicamos esta proposta para uma reforma profunda do sistema de comércio agrícola internacional.
A designada “Ronda de negociações de Doha” da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a continuação da liberalização do tráfego de bens está ameaçada de falhar, sobretudo porque a UE e os EUA se recusam a ceder às exigências dos países em vias de desenvolvimento, no sector agrícola. Ao mesmo tempo, exigem uma abertura crescente dos mercados agrícolas destes países.
Simultaneamente, os prognósticos multiplicam-se de que quem irá ganhar com as negociações da Ronda de Doha serão os países industrializados e alguns países exportadores do Sul. A maioria dos países pobres, no entanto, iria perder com os resultados das negociações de liberalização do comércio.
Uma observação ao nível supra-estatal permite concluir que a liberalização do mercado sobretudo beneficiará os agentes económicos mais fortes, aumentando as suas vantagens no mercado às custas dos economicamente vulneráveis – tanto no Sul como no Norte.
...
Sumário:
No centro das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre o acordo multilateral para a economia mundial está a reforma do comércio agrícola. Mas as inovações pretendidas não prometem ser positivas para o futuro da agricultura familiar deste mundo. Antes pelo contrário, irão piorar a situação desesperante dos pequenos agricultores e deteriorar ainda mais os ecossistemas. Para mais, irão dificultar o aumento da produtividade agrícola na era “pós-combustíveis fósseis” que se aproxima.
Com a sua fixação no desmantelamento de taxas e subvenções, os actores do Norte e de alguns países grandes do Sul, deixam completamente de lado considerações sobre agricultura familiar e as zonas rurais expostas a pobreza, danos ambientais e o escasseamento do petróleo. Enquanto aos agricultores de todo o mundo é exigido riqueza de ideias e empreendedorismo para superar estas dificuldades, o caminho escolhido pela política comercial e pelos programas de ajustamento estrutural (SAP’s) leva no sentido contrário, ou seja, no de piorar estes problemas.
Por este motivo, este relatório pretende mostrar perspectivas políticas e instrumentos para um sistema de comércio em que se dá uma hipótese real aos pobres, que se põe ao serviço da conservação da natureza e que ajude a agricultura a fazer a transição para a era solar.
Após a conferência de ministros em Cancún em Setembro de 2003, a Fundação Heinrich Boell e a Miseror (ambas com sede na Alemanha mas com gabinetes e parceiros a nível mundial) juntamente com a moderação do Instituto de Wuppertal, decidiram criar o diálogo EcoFair Trade (Comércio Justo e Ecológico). O presente documento é o resultado destes diálogos e de encontros em todos os continentes, realizados com a participação de um grande número de organizações da sociedade civil. Os próprios 12 autores são oriundos da América, Austrália, África, Ásia e Europa, de pequenos países e grandes nações comerciais, do Sul e do Norte; trabalham como peritos em Organizações Não Governamentais (ONG’s), como multiplicadores para a agricultura sustentável a nível dos grass-roots, como investigadores em Universidades ou como consultores políticos para parlamentos e governos.
Em referência ao movimento internacional “Slow food”, que luta por alimentos bons, saudáveis e justos, este relatório foi entitulado “Slow Trade – Sound Farming”. Assim o título já transmite a mensagem de que um regime comercial que quer servir ao Homem e à biosfera terá que desacelerar e retroceder na dinâmica da concorrência orientada para o poder e o rendimento.
Na primeira secção são apresentados 7 princípios que devem estar subjacentes a uma nova ordem do comércio agrícola. Estes princípios baseiam-se na ideia de que o interesse público deve ser posto acima do interesse individual e de que os mercados terão que ser configurados pela política.
1. O Princípio da multifuncionalidade realça o facto de que os sistemas agrícolas estão interligados com sistemas sociais e naturais;
2. O Princípio dos direitos Humanos reforça a ideia de que os acordos sobre o comércio devem beneficiar as pessoas mais desfavorecidas do mundo;
3. O Princípio da preservação do ambiente lembra que a actividade agrícola, além de produzir alimentos, recursos energéticos e fibras, tem a função de regenerar solos, água e biodiversidade;
4. O Princípio da soberania democrática aponta para o direito dos cidadãos em exprimir as suas preferências colectivas e de se envolverem activamente nas políticas de comércio e de investimento que os afectam;
5. O Princípio da responsabilidade extraterritorial refere-se à responsabilidade global – em primeiro lugar dos países poderosos – de não provocar danos a cidadãos que ficam fora das suas fronteiras estatais;
6. O Princípio da subsidiariedade económica implica que as trocas comerciais no mercado alimentar se devem realizar preferencialmente a nível local e nacional e que as trocas comerciais transnacionais devem ter apenas uma função suplementar;
7. O Princípio da justiça / fairness requer que os desequilíbrios existentes sejam balançados a favor dos agentes económicos mais fracos ou que exista uma discriminação positiva para estes, pois o estabelecimento de oportunidades iguais apenas irá favorecer os mais fortes.
Na segunda secção são apresentados os problemas mais graves resultantes da desregulamentação do mercado agrícola.
O capítulo Primazia do ponto de vista económico aponta para o facto de que as decisões feitas apenas sob o ponto de vista económico sofrem de uma visão de curto prazo. Este ponto de vista encara a agricultura apenas como uma máquina geradora de dinheiro, que deve acelerar o crescimento económico e trazer divisas. O papel da agricultura, de facto, é muito mais do que os simples números no papel; a agricultura não é nada menos do que o suporte da vida no campo, assim como também é um aspecto inseparável da biosfera. Quando estes aspectos são ignorados sistematicamente, a política comercial acaba necessariamente por tomar decisões nefastas.
O capítulo Direito de existência em áreas marginais trata mais detalhadamente das consequências fatais que a visão de curto prazo, anteriormente delineada, tem sobre os pequenos agricultores e comunidades rurais em muito países. Não é raro que a população rural seja expulsa do seu solo e das suas terras e atraída para os centros urbanos; globalização e liberalização do mercado são co-responsáveis pela miséria da agricultura familiar.
Os autores deste relatório distanciam-se da concordância silenciosa dos defensores da liberalização do mercado de que a agricultura familiar é uma coisa do passado. Pelo contrário, são os pequenos agricultores e a agricultura familiar que constituem a chave para maior produtividade, sustentabilidade e emprego na agricultura.
O capítulo Natureza marginal mostra que a visão de túnel económica tem consequências potencialmente perigosas para a natureza e a agricultura, dado que um aumento do comércio transnacional de bens agrícolas resulta geralmente na expansão de monoculturas e da agricultura industrializada, com a sua sede por terra e água. Além disso, o próprio futuro da agricultura é ameaçado se as bases ecológicas da produção agrícola são continuamente degradadas e quando um pilar fundamental da agricultura industrializada – o petróleo – escasseia.
No capítulo Tomada de posse pelas empresas evidencia-se que a filosofia do mercado livre, que serve de base a negociações sobre agricultura, se baseia na suposição de que o mercado livre é apenas limitado pela intervenção estatal. Mas, de facto, o mercado livre é, pelo menos na mesma medida, constrangido pela formação de corporações multinacionais e o seu poder monopolista no mercado. Onde as empresas multinacionais usam as suas vantagens, os produtores podem não ser limitados por taxas ou subvenções de vender a sua produção, mas por empresas que ditam os preços de mercado e as normas dos produtos. Por isso a desregulamentação dos mercados nacionais interessa às empresas, porque facilita uma nova regulação transnacional à medida dos seus interesses. O desmantelamento de medidas protectoras nas fronteiras nacionais aumenta o poder de empresas transnacionais.
O capítulo Assimetrias duradouras trata das diferenças brutais existentes no actual sistema comercial. O princípio do “tornar igual” através da abolição das barreiras ao comércio, prejudica muito menos países competitivos do que países menos competitivos, porque força os participantes fortes e fracos a jogar no mesmo campeonato. O que na concorrência comercial é designado eufemisticamente “Level-playing field” ou “mesmas condições à partida” é, na realidade, um regulamento para um jogo extremamente injusto, que facilita a jogada de países e empresas poderosas. Sob estas condições, a liberalização do mercado não trouxe a muitos países os resultados desejados em termos de transformação da sua agricultura para a competitividade no mercado global. Sendo assim, não é suficiente corrigir as regras do comércio apenas um pouco, porque o comércio livre geralmente “passa a bola” aos mais fortes. Por isso, as regras de comércio só podem ser consideradas justas quando os fracos são privilegiados em relação aos fortes.
A terceira secção apresenta soluções que incluem propostas para a reorientação do comércio agrícola, assim como instrumentos para guiar o mercado internacional de produtos agrícolas. As propostas fundamentam-se na ideia de que a preocupação com a dignidade Humana e a integridade da Biosfera têm que ser parte da arquitectura das regras do comércio. É expressão de irresponsabilidade estrutural quando a OMC limita a sua competência a questões de comércio e deixa para governos nacionais tratarem de temas sociais e ambientais, enquanto simultaneamente reduz a sua autoridade de forma crescente através das políticas de desregulamentação exigidas.
A primeira proposta é: alargar o espaço de manobra da política nacional.
Após as políticas nacionais terem que abdicar de competências durante as últimas décadas, agora os estados e as autarquias têm que receber de novo o direito de influenciar as trocas comerciais de acordo com as suas preferências. Sobretudo o direito de conduzir a importação de bens, serviços e investimentos tem que ser restabelecida.
Como a agricultura é a principal fonte de rendimento da maioria das pessoas dos países em vias de desenvolvimento, a liberalização de importações tem que retroceder, se a base para a sobrevivência e a segurança alimentar no interior do país querem ser asseguradas. Por isso, os países precisam de espaço de manobra dentro das regras internacionais de comércio, para proteger o mercado interno de ser inundado por bens importados, através de uma política de importações específica, constituída por taxas, tarifas e mecanismos de controlo de quantidade e preços.
Os países também precisam de adquirir competências para, por exemplo, influenciar os investimentos estrangeiros, regular actividades de corporações multinacionais, impor regulamentos estritos sobre qualidade e segurança alimentar ou requisitos em matéria ambiental e desenvolver programas de apoio específicos para assegurar uma economia rural sã.
Limitações ao comércio livre são bem-vindas se têm em vista o bem público.
Segundo, a agricultura só pode ser bem sucedida na criação de riqueza privada e pública, se a segunda proposta está estabelecida: investir na multifuncionalidade. Para assegurar a multifuncionalidade ecológica e social, a agricultura necessita de apoio. Por isso, é um erro exigir a abolição de todos os instrumentos de apoio à agricultura a nível interno. O tema da extensão e da composição dos programas para investimento e regulamento da produção agrícola é o que necessita ser discutido, e não a abolição completa da intervenção estatal.
O apoio à agricultura pode ser institucional ou financeiro. Apoios institucionais correspondem a política de impostos, disponibilização de informações sobre saber-fazer, estabelecimento de infraestruturas ou financiamento de investigação – tudo medidas que têm um papel chave na transição para a agricultura sustentável. A nível financeiro, pagamentos directos a agricultores poderiam ser considerados, no entanto, apenas seguindo pressupostos rígidos. De acordo com o Princípio da responsabilidade extraterritorial, o apoio à agricultura não pode comprometer as hipóteses de outros em mercados externos. Subsídios à exportação não são de algum modo defensáveis. Se não se decidir proibir absolutamente o dumping de produtos agrícolas (venda de produtos abaixo do seu preço de custo), ao menos um sistema internacional de “alerta de dumping” deveria ser estabelecido, de modo a avisar os países importadores de quando as importações põem em risco a segurança dos meios de vida dos agricultores.
Em terceiro lugar, os agricultores em todo o lado, sejam ricos ou pobres, do Sul ou do Norte, sofrem como resultado dos preços extremamente baixos e flutuantes da sua produção. Estabilizar os preços é, portanto, a única medida mais significativa para assegurar um rendimento para os agricultores e travar o declínio do meio rural.
Por causa das características específicas da agricultura como sector económico, a oferta geralmente só responde devagar e de forma insuficiente a alterações de preços. Gestão da oferta neste sentido é um instrumento interessante para manter preços adequados, tanto para os produtores, como para os consumidores. Em muitos países já se pratica a gestão da oferta dos produtos agrícolas com o objectivo de harmonizar a produção com a procura no mercado. A chave para o sucesso é um mecanismo de adaptação flexível que no cálculo das quotas e estabelecimento do preço para o produto tem em conta a capacidade produtiva e a procura no mercado. Se programas deste tipo têm um enquadramento legal e está garantido que todos os intervenientes têm direito a contribuir, se existem mecanismos de fiscalização e sanção para assegurar a obedeciência às regras, a gestão da oferta pode prevenir a queda dos preços no mercado agrícola.
Uma quarta regra também será essencial: Introdução de normas de sustentabilidade. Pois normas de produção e processamento são instrumentos importantes de uma política que pretende harmonizar os interesses privados de lucro com a preservação da biosfera e com direitos sociais fundamentais.
De facto, até agora são sobretudo os desrespeitadores que beneficiam com o desmantelamento das medidas proteccionistas. Enquanto os custos de produção não têm que ter em conta a conservação dos bens públicos, o mercado livre continua a acelerar a marginalização dos pobres e a degradação da biosfera.
A participação no mercado internacional deveria ser entendida como um privilégio, que em contrapartida exige a internalização dos custos sociais e ecológicos. Por isso, o primeiro passo consistiria no desenvolvimento independente, nos vários países, de normas de sustentabilidade e de programas de certificação para agricultura e transformação; para tal, a experiência com a certificação do modo de produção biológico poderia servir como exemplo.
Num segundo passo, os produtores nacionais teriam que passar a ser obrigados a cumprir as normas nacionais. Depois poderiam ser definidos critérios de qualidade para permitir um acesso privilegiado ao mercado, dos produtos produzidos de forma sustentável. Para os programas de acesso privilegiado ao mercado deveria haver “normas transversais” a nível multilateral, em que as regras para o estabelecimento de normas seriam definidas de forma participativa e consensual.
Simultaneamente, um gabinete de resolução de conflitos resultantes de normas poderia facilitar a formação de compromissos no caso da existência de disparidades entre as normas de diferentes países, que pretendem realizar trocas comerciais. Os lucros dos países mais ricos obtidos em tarifas poderiam fluir para um fundo internacional para o desenvolvimento rural sustentável, com apoio do qual os países subdesenvolvidos poderiam converter a sua agricultura para modos de produção sustentáveis e apoiar as suas exportações.
A Democratização das cadeias de mercado representa o quinto ponto de entrada para a reforma, dizendo respeito especificamente ao facto de que frequentemente não são os governos, mas sim as empresas que distorcem o mercado, em prejuízo dos pequenos produtores locais e de pequenas e médias empresas. A ideia principal consiste em dar mais poder a produtores e empresas, de acordo com uma lógica de proximidade e, simultaneamente, assegurar que intervenções de empresas estrangeiras sejam controladas a nível local por observatórios de concorrência, sujeitando-as também às normas nacionais da política de investimento. Para estes fins são propostos três instrumentos multilaterais que permitem influenciar o comportamento das empresas: primeiro, deve ser criada uma base de dados aberta sobre as principais empresas do sector agro-alimentar, em que constasse a sua dimensão, extensão, fusões, compras e joint ventures (investimentos realizados por 2 ou mais empresas em outros países); segundo, a implementação de um observatório anti-monopolista, que acompanhasse os processos de fusões e compras e interviesse no caso de as grandes empresas abusarem do seu poder de mercado; e, terceiro, a criação de um conjunto de comissões para a justiça no comércio, para fiscalizar acordos e contratos internacionais dos diversos actores envolvidos numa mesma fileira, com o objectivo de assegurar a redistribuição justa dos lucros. Além disso, medidas para a re-regionalização das trocas comerciais deverão ser aconselhadas, incluindo estratégias para a maximização do valor acrescentado no local, em que será exigido às empresas que comprem preferencialmente a produção local e que considerem transformadores e fontes de escoamento locais.
E, finalmente, o capítulo Equilibrar assimetrias trata de propostas a acesso a mercados, para a política de exportação, com o objectivo de fortalecer a posição dos pequenos agricultores perante correntes internacionais de comércio. No entanto, é duvidoso se o mercado livre – assumindo que os países do Norte põem um fim ao seu proteccionismo – realmente estabelecerá medidas justas e condições de partida iguais para todos, pois as diferenças entre países e regiões são simplesmente demasiado grandes.
Apesar de toda a atenção que se dá ao aumento das exportações, os factos de que a maioria dos produtores, e sobretudo os pequenos agricultores, geralmente não beneficiam de forma alguma das mesmas e que causam graves custos ambientais, são frequentemente ignorados. Por isso, neste relatório foram formuladas políticas de exportação sustentável. Uma política deste tipo dá primazia à segurança alimentar nacional em relação a exportações, e dá primazia à produção para mercados locais e nacionais em relação à produção para mercados estrangeiros. No sentido de assegurar mais igualdade entre o tratamento dos países, os países economicamente mais fracos precisam de ter um tratamento preferencial, em vez de terem apenas os mesmos direitos. De acordo com o Princípio da justiça, é necessário que o tratamento preferencial passe de uma cedência transitória – tal como acontece actualmente – para uma característica sistemática do regime comercial.
São propostas regras de acesso ao mercado, compostas por uma combinação de taxas e quotas. De acordo com estas, normas de qualidade definem o valor das taxas de cada produto, enquanto para cada nível de taxas seriam estabelecidas quotas para a importação de países economicamente desfavorecidos, no caso que o país deseje importar um dado produto.
Finalmente, também não é uma lei imutável que o comércio internacional tenha que ser orientado exclusivamente para a maximização do lucro; o objectivo também pode ser reciprocidade e solidariedade. O que aconteceria se os países do Sul saíssem da competição global no mercado e, em vez disso, estabelecessem contratos comerciais baseados na solidariedade?
Em conclusão, a seccção 4 descreve em termos esquemáticos como seria a arquitectura do comércio agrícola na era pós-OMC.
Os autores deste documento estão convencidos de que um acordo multilateral sobre o comércio é indispensável. A OMC, entretanto, na sua configuração institucional actual, não preenche os requisitos para realizar as funções necessárias. Consequentemente, a OMC terá que se reinventar a si própria ou ceder a institucionalização de regras sobre o comércio agrícola a outras instituições mais competentes, no âmbito das Nações Unidas.
Tendo em conta as análises e propostas deste documento, a nova instituição terá que ter pelo menos as seguintes cinco secções: secção para a coordenação, garantia de qualidade, gestão de preços, observatório de concorrência e resolução de conflitos. Assim, estas secções cobririam as funções de uma organização do comércio que trabalha realmente em prol do interesse público: plataforma para negociações entre estados, normas de qualidade mínima para os fluxos de mercadorias baseadas em normas multilaterais, controlo dos preços de mercado internacionais através de um mecanismo de gestão da oferta baseado na cooperação, controlo da concorrência através de medidas anti-trust (anti-monopólio) e um mecanismo para a resolução de conflitos sobre trocas comerciais.
Se actualmente o desmantelamento de entraves ao comércio livre é a preocupação principal no comércio mundial para criar um mercado mundial unificado, a instituição que precisamos para o futuro terá que se concentrar na coordenação dos diversos interesses nacionais como centro focal do seu trabalho. O seu objectivo principal, deste modo, consistirá em equilibrar interesses de comércio e não em desregulamentar o comércio.
O relatório completo está disponível em Espanhol, Alemão e Inglês no seguinte website:
http://www.ecofair-trade.org/
Friday, 5 October 2007
Farming and CSA
“Farming is not just a business like any other profit making business, but a precondition of all human life on earth”, therefore “the problems of agriculture and the environment belong not just to a small minority of active farmers; they are the problems of all humanity.”
Groh and McFadden (1997). Farms of Tomorrow Revisited. Biodynamic Farming and Gardening Association.
The same authors describe Community Supported Agriculture as follows:
"A CSA is a community-based organization of growers and consumers. The consumer households live independently, but agree to provide direct, up-front support for the local growers who produce their food. The growers agree to do their best to provide a sufficient quantity and quality of food to meet the needs and expectations of the consumers. In this way the farms and families form a network of mutual support. Within this general framework there is wide latitude for variation, depending on the resources and desires of the participants."
And they say, about CSA farms:
"If not growing all the answers, these farms can at least be said to be cultivating the right questions."
Besides quality food production and environmental care, sustainable farms can provide a learning ground for key human understandings for a meaningful life:
1. Living according to natural rhythms (the seasons and daily rhythms of the sun);
2. A modest lifestyle, adapted to what nature and locally adapted farming systems can give;
3. A readiness to do what is necessary without complaint (fighting the love of ease);
4. A deep understanding of the fact that you harvest what you plant;
5. Appreciation of the fact that it is nature that produces what we need to sustain ourselves, not the farmer. He only shapes the conditions that favour the growth of the plants and animals we need;
6. Understand that productivity of the land was shaped by the generations living before one, and that the way one works with the farm today will benefit or harm future generation;
7. Find out that nature produces best out of a big diversity of plants and animals: diversity fosters productivity;
8. Animals are needed to keep the fertility of the soil;
9. Hundreds of technical skills can be learnt on a farm, related to conduct farmwork properly, but also social skills can be acquired by having to work cooperatively.
Truly economic motivation should not be confused with profit motivation." They are totally different cathegories." Growing strawberries for a far away market consumes more energy than it delivers to the final consumer; hence it is uneconomic, however, a profit can be made.
Groh and McFadden (1997). Farms of Tomorrow Revisited. Biodynamic Farming and Gardening Association.
The same authors describe Community Supported Agriculture as follows:
"A CSA is a community-based organization of growers and consumers. The consumer households live independently, but agree to provide direct, up-front support for the local growers who produce their food. The growers agree to do their best to provide a sufficient quantity and quality of food to meet the needs and expectations of the consumers. In this way the farms and families form a network of mutual support. Within this general framework there is wide latitude for variation, depending on the resources and desires of the participants."
And they say, about CSA farms:
"If not growing all the answers, these farms can at least be said to be cultivating the right questions."
Besides quality food production and environmental care, sustainable farms can provide a learning ground for key human understandings for a meaningful life:
1. Living according to natural rhythms (the seasons and daily rhythms of the sun);
2. A modest lifestyle, adapted to what nature and locally adapted farming systems can give;
3. A readiness to do what is necessary without complaint (fighting the love of ease);
4. A deep understanding of the fact that you harvest what you plant;
5. Appreciation of the fact that it is nature that produces what we need to sustain ourselves, not the farmer. He only shapes the conditions that favour the growth of the plants and animals we need;
6. Understand that productivity of the land was shaped by the generations living before one, and that the way one works with the farm today will benefit or harm future generation;
7. Find out that nature produces best out of a big diversity of plants and animals: diversity fosters productivity;
8. Animals are needed to keep the fertility of the soil;
9. Hundreds of technical skills can be learnt on a farm, related to conduct farmwork properly, but also social skills can be acquired by having to work cooperatively.
Truly economic motivation should not be confused with profit motivation." They are totally different cathegories." Growing strawberries for a far away market consumes more energy than it delivers to the final consumer; hence it is uneconomic, however, a profit can be made.
Thursday, 23 August 2007
Der Golem
Free download of the book "Der Golem" (in German) from Gustav Meyrink: http://gutenberg.spiegel.de/?id=5&xid=1844&kapitel=1#gb_found
Very worth reading...
I identlify myself with Charousek :) (The poor student without clothes under his jacket, whose only aim in life is to drive his father into suicide, yes.)
The Golem is a figure of a myth from Prague: a human-like creature made by a magic and that became alive through a number that was stuck behind his teeth.
"The moonlight falls at the footend of my bed and lies there like a big, light, flat stone." Dream and reality, myth and history are interwoven in images that leave deep impressions in the readers mind.
"Das Kapitel hiess 'Ibur', 'die Seelenschwaengerung'."
Do I belive the Golem exists?
No.
Do I belive the Agro-Vampire exists?
Yes. Because I saw him. And he was wearing white socks.
Very worth reading...
I identlify myself with Charousek :) (The poor student without clothes under his jacket, whose only aim in life is to drive his father into suicide, yes.)
The Golem is a figure of a myth from Prague: a human-like creature made by a magic and that became alive through a number that was stuck behind his teeth.
"The moonlight falls at the footend of my bed and lies there like a big, light, flat stone." Dream and reality, myth and history are interwoven in images that leave deep impressions in the readers mind.
"Das Kapitel hiess 'Ibur', 'die Seelenschwaengerung'."
Do I belive the Golem exists?
No.
Do I belive the Agro-Vampire exists?
Yes. Because I saw him. And he was wearing white socks.
Tuesday, 17 July 2007
The importance of practical work
Since the industrial revolution and increased specialization of work, practical work has been increasingly marginalized as something to be done only by whom does not possess mental faculties which allow for intellectual work. However, practical work, the transformation of materials, unifies mental and physical creativity in a process that challenges both mental and physical faculties and leads to their refinement and development.
Human creativity and productivity can be divided into two aspects: the formation of thoughts and their concretisation in the real world. Each person has the capacity to unfold both these complementary aspects for the interaction with and transformation of the world around him. During practical work intellectual and physical activity are combined.
There are also two ways of learning about the world: learning through the use of words and learning by doing.
The transformation of materials / practical work allows for learning by doing and is an important experience of own productivity and provides opportunities for significant learning about oneself and the world.
Every work, every material resists in some way to transformation. It is necessary to learn how best to transform something according to our intentions when we do practical work. For this to happen, we have to coordinate our mind with our physical activity and tune them to the requirement of the task at hand. At the beginning, usually it is difficult to adapt our actions and individual movements to achieve what we have in mind. But continuous training, insistence, help us to acquire the capacities to do the work properly. This learning process confronts us with the qualities of the material and our own. When we finally master a technique we have learned much about ourselves and the world. Practical work is a challenge and opportunity for personal development and self-education.
Fucke. E. (1996). Der Bildungswert praktischer Arbeit. Gedanken zu einer Lebensschule. Verlag Freies Geistesleben, Stuttgart.
Human creativity and productivity can be divided into two aspects: the formation of thoughts and their concretisation in the real world. Each person has the capacity to unfold both these complementary aspects for the interaction with and transformation of the world around him. During practical work intellectual and physical activity are combined.
There are also two ways of learning about the world: learning through the use of words and learning by doing.
The transformation of materials / practical work allows for learning by doing and is an important experience of own productivity and provides opportunities for significant learning about oneself and the world.
Every work, every material resists in some way to transformation. It is necessary to learn how best to transform something according to our intentions when we do practical work. For this to happen, we have to coordinate our mind with our physical activity and tune them to the requirement of the task at hand. At the beginning, usually it is difficult to adapt our actions and individual movements to achieve what we have in mind. But continuous training, insistence, help us to acquire the capacities to do the work properly. This learning process confronts us with the qualities of the material and our own. When we finally master a technique we have learned much about ourselves and the world. Practical work is a challenge and opportunity for personal development and self-education.
Fucke. E. (1996). Der Bildungswert praktischer Arbeit. Gedanken zu einer Lebensschule. Verlag Freies Geistesleben, Stuttgart.
Thursday, 14 June 2007
"Crisis and change in rural Europe"
Agricultural marginalization has often been described as a result of lack of capacity to innovate, attachment to inefficient traditional practices and overall: backwardness. Agricultural policies are founded on a set of assumptions about why certain regions have not undergone the same modernization of agriculture that others have. Black (1992) analyzed rural and agricultural marginalization from a “regional political ecology” perspective and assessed the validity of several assumptions on which agricultural policies are based, conducting a case-study in the Serra do Alvão.
1 - Small farm size and fragmentation of landholdings - frequently seen as a core cause of delayed agricultural development. Central to this view is that increased farm size allows for economies of scale to be achieved, through more rational use of machinery and lower management costs.
However, fragmentation may not be that important reducing productivity and advantages can even be derived from fragmented landholdings. Geographically spread plots allow ecological risks of production loss to be spread and increased adaptation of crops to ecological conditions in relation to farmers with single plots. Different ecological conditions in different plots also allow for the production of a higher diversity of crops. On different plots farm work may be due at different times, reducing the labour bottleneck.
Small farms in itself are not a barrier to high productivity and development. Regarding innovation, small farms only lag behind innovation in expensive machinery, but they readily adopt new seeds, fertilizers and other techniques.
Inheritance of land may not be the sole cause of fragmentation, as much land is traded (about 50% on the Alvão case study). It is not appropriate to blame landholding structure as the main cause of the agricultural crisis.
2 – Too large agricultural population - it was frequently assumed that reducing the agricultural population would allow the remaining farmers to have higher incomes (strangely, at the same time, the depopulation of rural areas was seen as problematic). However, depopulation can have devastating effects as "extraction of labour from rural areas can compromise land management practices and lead to land degradation".
3 – Small-farms are isolated from the market economy - instead farmers decide to participate in the market or not to do so when the conditions are unfavorable; farms in the Alvão region do not operate according to the logic of profit maximization. Northern Portuguese agriculture is basically non viable and operates primarily to meet subsistence needs. Whitllesey (1936) says commercial farmers produce to sell - capitalist mode - whereas subsistence farmers produce to meet their food requirements and sell what remains after the household requirements are met, therefore they are better off to resist fluctuations of the market. The viability of the minifundio system has often been analyzed in terms of either transformation along capitalist lines or oblivion.
However it is suggested (Cabral, 1986) that small farmers can withdraw from the market when the conditions are unfavorable and benefit from it when the terms of trade favor them. Thus they can protect themselves from higher market prices through self-supply. The commercialization of agriculture is a priority for the Portuguese government (in 1989). However, "integration of a rural economy into wider capitalist markets leads to marginalization of smaller producers, either through the effect of competition on their viability or as a result of the extraction of surplus value." (p.129).
4 - Poor farmers degrade natural resources and use them inefficiently - instead Black suggests "Poorer farmers may put in more work to stave off environmental marginalization, even if this involves their own self-exploitation, and increasing economic marginality. In contrast, the politically and economically powerful, in seeking market based solutions, may act in ways that are detrimental to environmental quality" (p. 167). Specialization in cash-crops undermines the continuation of the complex farming systems, where multiple benefits are derived from the association of products and production practices.
"If external, European wide factors, have contributed to a process which, however loosely, we might describe as marginalization of small farmers, there must be a role for European policy in seeking to address the crisis that is a consequence of that process." (p.181). The increased welfare of farmers, as an important agricultural policy aim, should focus on more equitable distribution of resources. Rather than subsidizing rich farmers on productive land, it should help the farmers living below the EC poverty line.
Black suggests that it is not the victims of agricultural marginalization to be blamed for low agricultural productivity and farm income. Rather, externally driven political and economic issues are at the core of marginalization and need to be addressed, but these causes have not been "seen" in Portugal at scientific or policy level (at least in 1992). However it should not be forgotten that the power relations between the local and the national are bi-directional; not only national policies influence the local, but also local power relationships can influence outcomes at higher levels, and their impacts on the local area (e.g. Lamas d'Olo managed to avoid the forestation of their common land in the 1940's).
Black, R (1992). Crisis and Change in Rural Europe. Athenaeum Press, Avebury
Obrigada, Mirjam, for directing my attention to this book!
1 - Small farm size and fragmentation of landholdings - frequently seen as a core cause of delayed agricultural development. Central to this view is that increased farm size allows for economies of scale to be achieved, through more rational use of machinery and lower management costs.
However, fragmentation may not be that important reducing productivity and advantages can even be derived from fragmented landholdings. Geographically spread plots allow ecological risks of production loss to be spread and increased adaptation of crops to ecological conditions in relation to farmers with single plots. Different ecological conditions in different plots also allow for the production of a higher diversity of crops. On different plots farm work may be due at different times, reducing the labour bottleneck.
Small farms in itself are not a barrier to high productivity and development. Regarding innovation, small farms only lag behind innovation in expensive machinery, but they readily adopt new seeds, fertilizers and other techniques.
Inheritance of land may not be the sole cause of fragmentation, as much land is traded (about 50% on the Alvão case study). It is not appropriate to blame landholding structure as the main cause of the agricultural crisis.
2 – Too large agricultural population - it was frequently assumed that reducing the agricultural population would allow the remaining farmers to have higher incomes (strangely, at the same time, the depopulation of rural areas was seen as problematic). However, depopulation can have devastating effects as "extraction of labour from rural areas can compromise land management practices and lead to land degradation".
3 – Small-farms are isolated from the market economy - instead farmers decide to participate in the market or not to do so when the conditions are unfavorable; farms in the Alvão region do not operate according to the logic of profit maximization. Northern Portuguese agriculture is basically non viable and operates primarily to meet subsistence needs. Whitllesey (1936) says commercial farmers produce to sell - capitalist mode - whereas subsistence farmers produce to meet their food requirements and sell what remains after the household requirements are met, therefore they are better off to resist fluctuations of the market. The viability of the minifundio system has often been analyzed in terms of either transformation along capitalist lines or oblivion.
However it is suggested (Cabral, 1986) that small farmers can withdraw from the market when the conditions are unfavorable and benefit from it when the terms of trade favor them. Thus they can protect themselves from higher market prices through self-supply. The commercialization of agriculture is a priority for the Portuguese government (in 1989). However, "integration of a rural economy into wider capitalist markets leads to marginalization of smaller producers, either through the effect of competition on their viability or as a result of the extraction of surplus value." (p.129).
4 - Poor farmers degrade natural resources and use them inefficiently - instead Black suggests "Poorer farmers may put in more work to stave off environmental marginalization, even if this involves their own self-exploitation, and increasing economic marginality. In contrast, the politically and economically powerful, in seeking market based solutions, may act in ways that are detrimental to environmental quality" (p. 167). Specialization in cash-crops undermines the continuation of the complex farming systems, where multiple benefits are derived from the association of products and production practices.
"If external, European wide factors, have contributed to a process which, however loosely, we might describe as marginalization of small farmers, there must be a role for European policy in seeking to address the crisis that is a consequence of that process." (p.181). The increased welfare of farmers, as an important agricultural policy aim, should focus on more equitable distribution of resources. Rather than subsidizing rich farmers on productive land, it should help the farmers living below the EC poverty line.
Black suggests that it is not the victims of agricultural marginalization to be blamed for low agricultural productivity and farm income. Rather, externally driven political and economic issues are at the core of marginalization and need to be addressed, but these causes have not been "seen" in Portugal at scientific or policy level (at least in 1992). However it should not be forgotten that the power relations between the local and the national are bi-directional; not only national policies influence the local, but also local power relationships can influence outcomes at higher levels, and their impacts on the local area (e.g. Lamas d'Olo managed to avoid the forestation of their common land in the 1940's).
Black, R (1992). Crisis and Change in Rural Europe. Athenaeum Press, Avebury
Obrigada, Mirjam, for directing my attention to this book!
Tuesday, 5 June 2007
When the wolves howl
“Quando os lobos uivam” is a novel by Aquilino Ribeiro, published in 1958. It gives a very accurate description of the peasants/Serranos of the central and northern mountain ranges of Portugal (my study area). This book is certainly untranslatable, because its essence is the expressions and the worldview of the Serranos…
“Qual o quê?!” is extremely expressive and I can’t imagine any equiparable wording in English; similarly, “That’s lovely!” has no reasonable translation into Portuguese.
The book starts with Manuel Louvadeus coming back from Brazil after 10 years. His family thought he was dead, but one evening he nocks at the door of their little granite hut in the village where nothing at all has changed. He is talking with his wife when the whole population of the village comes to his doorstep to see him. They hang around and Manuel Louvadeus is told about the expropriation of the commons that the government is planning.
The villagers wonder if Manuel Louvadeus brought much money from Brazil or not. He sometimes pretends to be a rich man. Once he sits with his father, Teotonio Louvadeus, on his land Rochambana and says he wants to build a house there. His father teases him and says that this is quite an expensive business and asks if he brought any money at all from Brazil. Manuel lays on the floor, broken down, and then starts to tell his father about his adventures in Brazil.
He and another Portuguese, Serôdio, travelled together and found employment in the diamante and amethyst mines and started to illegally put precious stones aside. When they had quite a stock of stones they wanted to run away and to sell the stones. But, one day Serôdio and the woman he was with, Maturina, run away with the stones and Manuel was left with nothing. He planned vengeance and searched them all over with the help of another mine worker. Finally he found them and harassed his former friend with his knife in order for him to tell Manuel where the stones were. In the intent to return to the mining camp and recover the stones left there, they travelled together, Serôdio as a prisoner. But, one day, the other man who helped Manuel to find Serôdio and Maturina, killed Serôdio and run away with Maturina. Manuel returned to Portugal with nothing, but he started to imagine that the precious stones were still hidden in a particular hole in the forest close to the mining site.
Meanwhile Manuel gets accustomed again to the village life and he is present in the meeting where representatives from the Forest Service explain the villagers their forestation program. The villagers will not be allowed to use the mountain anymore, from which they had derived fodder, wood, “manure” and pasture for their livestock for time immemorial.
However, one of the richest villagers, Lêndeas, makes a deal with the forester Lisuarte Streit, and he employs his 2 sons, Bruno and Modesto as forest wards. Therefore people in the village start to be split about the benefits of the forestation program.
However, the villagers in general are very angry and on the day when the machines come to start the forestation, the population from all villages surrounding and dependent on the resources of the mountain move up to where the people of the forestry service want to start work. The villagers are armed with their hoes, knifes and some weapons. The forestry service, however, was expecting resistance and was accompanied by the police. A little battle starts in which 4 people die and several are injured. The forestation program is put in place anyway, and many wards are needed to allow it to proceed, because many sabotage acts are carried out by the villagers.
Many villagers are imprisoned and are judged, however little they have contributed to the battle at the beginning of the forestation work. They are suspected to be “Criptocommunists” even though they have no clue about political doctrines. A nice dialogue in the tribunal goes like this:
“And you have been reading Karl Marx, haven’t you?!”
“Carlos Marques?...”
Bruno, the son of Lêndeas, is a witness and he says that Manuel Louvadeus was somehow a key figure coordinating the resistance against the state. As a consequence, Manuel is imprisoned for 3 years. Teotonio Louvadeus is heard to say “You will pay for this - dog!”
Bruno who is now a forest ward starts to courtship Jorgina, Manuel’s daughter, much to the disapproval of Teotonio Louvadeus, who knows that he had been together with Manuel’s wife when she thought Manuel died in Brazil. Teotonio trains his dog to hate Bruno, and to keep him away from the window where he uses to come to talk to Jorgina. One day the dog is found dead.
Teotonio Louvadeus prepares everything to kill Bruno and succeeds, one night when Bruno is returning from the forest to his village, Urrô do Anjo. In the same night Teotonio and his grandson burry Bruno in the river bed, diverting the water to the fields while they shovel the grave. Despite the corps not being found Teotonio is the main suspect of having killed Bruno. But after a while people start to think Bruno run away because he had too many enemies in the village and then they forget about him.
When Manuel comes out of prison he returns to his village only for a short while. Then he tells his father that he will go to Brazil to bring the precious stones home, because he is sure now where they are hidden. He wants to come back rich and to improve village life, bringing sanitation, electricity and health services to the mountain. However…time passes and Manuel never returns from Brazil.
At the day of the village’s saint, in summer, Teotonio Louvadeus borrows a mule and starts fires everywhere in the newly grown state forest. The fire burns for several days and most of the forest is destroyed.
In winter there is a big storm and a huge flood. And the story ends with the wolves, who are roaming around, very hungry, after the storm and find some bones swept at the riverside. Some people come; the wolves move away and observe from some distance how a group of people finds the bones.
2 excerpts that describe the role of the state now and then...
“Faça o senhor doutor engenheiro boa viagem e não nos lançe às feras!” exclamou João Rebordão.
“Vossoria lá fará” - exprimiu Manuel do Rosário, de Azenha da Moura. “Mas vá com a certeza de que não damos o braço a torcer!”
“Se quiserem guerra têm-na! Acrescentou o delgado da Ponte do Junco, as mandíbulas projectadas num ameaço façanhudo.
“Nós também não vamos a Lisboa cobiçar os relvados, que lá há, para pastagem das nossas vacas” gracejou Ribelas. “Pois podia-se lhe chamar aproveitar terra!”
Governo para o aldeão é sinónimo de Estado e de tudo o que dá leis, uma quadrilha de olho vivo. Já lhes levaram coiro e camisa em contribuições, tributos, posturas, alcavalas de vária ordem, e vinham ainda esbulhá-los da serra! Hoje a serra amanhã, por uma razão análoga, corriam-nos de casa para fora. Ah, cachaporra dum santo! O que todos queriam era viver à custa da barba longa, mãos brancas com bons anéis, bom automóvel, amigas para o gozo e criadas para todo o serviço que vinham buscar aos viveiros da plebe, cabritos gordos que se criavam nos ferregiais, e trutas que eles serranos estavam proibidos de pescar nos seus rios. Que maiores carrascões e ladrões!?
“Qual o quê?!” is extremely expressive and I can’t imagine any equiparable wording in English; similarly, “That’s lovely!” has no reasonable translation into Portuguese.
The book starts with Manuel Louvadeus coming back from Brazil after 10 years. His family thought he was dead, but one evening he nocks at the door of their little granite hut in the village where nothing at all has changed. He is talking with his wife when the whole population of the village comes to his doorstep to see him. They hang around and Manuel Louvadeus is told about the expropriation of the commons that the government is planning.
The villagers wonder if Manuel Louvadeus brought much money from Brazil or not. He sometimes pretends to be a rich man. Once he sits with his father, Teotonio Louvadeus, on his land Rochambana and says he wants to build a house there. His father teases him and says that this is quite an expensive business and asks if he brought any money at all from Brazil. Manuel lays on the floor, broken down, and then starts to tell his father about his adventures in Brazil.
He and another Portuguese, Serôdio, travelled together and found employment in the diamante and amethyst mines and started to illegally put precious stones aside. When they had quite a stock of stones they wanted to run away and to sell the stones. But, one day Serôdio and the woman he was with, Maturina, run away with the stones and Manuel was left with nothing. He planned vengeance and searched them all over with the help of another mine worker. Finally he found them and harassed his former friend with his knife in order for him to tell Manuel where the stones were. In the intent to return to the mining camp and recover the stones left there, they travelled together, Serôdio as a prisoner. But, one day, the other man who helped Manuel to find Serôdio and Maturina, killed Serôdio and run away with Maturina. Manuel returned to Portugal with nothing, but he started to imagine that the precious stones were still hidden in a particular hole in the forest close to the mining site.
Meanwhile Manuel gets accustomed again to the village life and he is present in the meeting where representatives from the Forest Service explain the villagers their forestation program. The villagers will not be allowed to use the mountain anymore, from which they had derived fodder, wood, “manure” and pasture for their livestock for time immemorial.
However, one of the richest villagers, Lêndeas, makes a deal with the forester Lisuarte Streit, and he employs his 2 sons, Bruno and Modesto as forest wards. Therefore people in the village start to be split about the benefits of the forestation program.
However, the villagers in general are very angry and on the day when the machines come to start the forestation, the population from all villages surrounding and dependent on the resources of the mountain move up to where the people of the forestry service want to start work. The villagers are armed with their hoes, knifes and some weapons. The forestry service, however, was expecting resistance and was accompanied by the police. A little battle starts in which 4 people die and several are injured. The forestation program is put in place anyway, and many wards are needed to allow it to proceed, because many sabotage acts are carried out by the villagers.
Many villagers are imprisoned and are judged, however little they have contributed to the battle at the beginning of the forestation work. They are suspected to be “Criptocommunists” even though they have no clue about political doctrines. A nice dialogue in the tribunal goes like this:
“And you have been reading Karl Marx, haven’t you?!”
“Carlos Marques?...”
Bruno, the son of Lêndeas, is a witness and he says that Manuel Louvadeus was somehow a key figure coordinating the resistance against the state. As a consequence, Manuel is imprisoned for 3 years. Teotonio Louvadeus is heard to say “You will pay for this - dog!”
Bruno who is now a forest ward starts to courtship Jorgina, Manuel’s daughter, much to the disapproval of Teotonio Louvadeus, who knows that he had been together with Manuel’s wife when she thought Manuel died in Brazil. Teotonio trains his dog to hate Bruno, and to keep him away from the window where he uses to come to talk to Jorgina. One day the dog is found dead.
Teotonio Louvadeus prepares everything to kill Bruno and succeeds, one night when Bruno is returning from the forest to his village, Urrô do Anjo. In the same night Teotonio and his grandson burry Bruno in the river bed, diverting the water to the fields while they shovel the grave. Despite the corps not being found Teotonio is the main suspect of having killed Bruno. But after a while people start to think Bruno run away because he had too many enemies in the village and then they forget about him.
When Manuel comes out of prison he returns to his village only for a short while. Then he tells his father that he will go to Brazil to bring the precious stones home, because he is sure now where they are hidden. He wants to come back rich and to improve village life, bringing sanitation, electricity and health services to the mountain. However…time passes and Manuel never returns from Brazil.
At the day of the village’s saint, in summer, Teotonio Louvadeus borrows a mule and starts fires everywhere in the newly grown state forest. The fire burns for several days and most of the forest is destroyed.
In winter there is a big storm and a huge flood. And the story ends with the wolves, who are roaming around, very hungry, after the storm and find some bones swept at the riverside. Some people come; the wolves move away and observe from some distance how a group of people finds the bones.
2 excerpts that describe the role of the state now and then...
“Faça o senhor doutor engenheiro boa viagem e não nos lançe às feras!” exclamou João Rebordão.
“Vossoria lá fará” - exprimiu Manuel do Rosário, de Azenha da Moura. “Mas vá com a certeza de que não damos o braço a torcer!”
“Se quiserem guerra têm-na! Acrescentou o delgado da Ponte do Junco, as mandíbulas projectadas num ameaço façanhudo.
“Nós também não vamos a Lisboa cobiçar os relvados, que lá há, para pastagem das nossas vacas” gracejou Ribelas. “Pois podia-se lhe chamar aproveitar terra!”
Governo para o aldeão é sinónimo de Estado e de tudo o que dá leis, uma quadrilha de olho vivo. Já lhes levaram coiro e camisa em contribuições, tributos, posturas, alcavalas de vária ordem, e vinham ainda esbulhá-los da serra! Hoje a serra amanhã, por uma razão análoga, corriam-nos de casa para fora. Ah, cachaporra dum santo! O que todos queriam era viver à custa da barba longa, mãos brancas com bons anéis, bom automóvel, amigas para o gozo e criadas para todo o serviço que vinham buscar aos viveiros da plebe, cabritos gordos que se criavam nos ferregiais, e trutas que eles serranos estavam proibidos de pescar nos seus rios. Que maiores carrascões e ladrões!?
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