Saturday, 17 July 2010

Problematização nula do abandono

Um entrevistando meu disse, numa entrevista em Agosto, 40ºC à sombra, água a pingar do ar condicionado no seu gabinete do ministério:
"O abandono agrícola toda a gente reconhece que é um problema. É como com o calor. Toda a gente sabe que é um problema. Mas fica por aí, não está na agenda política."

Thursday, 15 July 2010

Vem sentar-te comigo Lídia

Vem sentar-te comigo Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.

(Enlacemos as mãos.)
Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,

Mais longe que os deuses.
Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer nao gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
E sem desassosegos grandes.

Ricardo Reis/Fernando Pessoa

Agricultural and Rural Convention 2020

ARC é uma plataforma de discussão que pretende gerar uma mensagem comum da Sociedade Civil da UE para as Instituições Europeias sobre o futuro que queremos para a agricultura e para a Política Agrícola Comum (PAC), que está a ser reformada para o pós-2013. Participa!
http://www.arc2020.eu/

Monday, 12 July 2010

A metamorfose da rosa


A teoria de que a flor é uma folha modificada... Já o velho Goethe dizia.

Friday, 18 June 2010

Thursday, 17 June 2010

Tipo um milagre

Imaginem esta, não é que encontrei um livro sobre a política agrícola que se lê quase como um romance, semi-criminal, semi-comédia?
Admito que poderá ser que eu já esteja demasiado alienada do que é um verdadeiro livro de entretenimento, para que este me pareca uma alta diversão. Mas recomendo vivamente: "A agricultura Portuguesa na PAC" de J.A. Santos Varela. Trata da integração da agricultura Portuguesa na Política Agrícola Comum, e apesar de defender alguns ideais produtivistas é um livro histórico objectivo, e tem mais pontos de exclamação que algum livro do género que já me passou pela frente.

Camponeses detidos em apartamento

Uma vez em Góis vi um casal de camponeses velhotes sentados na varanda de um apartamento. Estavam vestidos como quem vai para as terras. Coitadinhos, os filhos concerteza estavam a pensar que estavam a fazer um favor aos pais de os trazer para o apartamento deles. Eles, no entanto, estavam aí a olhar tristes e aborrecidos para a rua, completamente deslocados. Queriam usar a pouca energia e muita vontade que tinham para botar erva ao vivo ou sachar o milho. Via-se pelas caras. Estar ali de mãos repousadas no colo, na varanda de um apartamento desaconchegante, era um verdadeiro calvário para eles. Soltem-nos! Deixem os voltar para a casita a cair aos bocados, com a lareira e os dois bancos de pau tosco, que lá estarão bem melhor. Estas raposas do mato, detidas nas armadilhas da modernidade.